
"Guido Heuer mostrou-me a maquete e
percebi de imediato que o Vale estava precisando de uma
saída pelo poético".
Edvaldo Ângelo
"Treze metros de altura e quinze
toneladas compõe essa peça de puro aço que, estima-se,
resiste a mais de 500 anos de história brasileira".
Dennis Radünz
"É
tão visível e dinâmica e moderna, que vê-la é como
levar um soco no peito."
Urda Alice
Klueger
"Os
olhos da cara postos no poema metálico de Guido Heuer,
ficam fixados sem refletir."
Theobaldo Costa Jamundá
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"Guido
Heuer mostrou-me a maquete da escultura e percebi,
de imediato, que o Vale estava precisando de uma saída
pelo poético. Os artistas e os arquitetos se preocupam
com a criatividade do sistema, enquanto nós, os
engenheiros, nos ocupamos da parte técnica de sua
execução. Nesse sentido, calculei as mudanças de
direção e força do vento na escultura e pudemos
desenvolver essa obra que é, acima de tudo, uma semente
para novos tempos. Eu aceitei o desafio de Guido Heuer e
a escultura é uma realidade no Vale do
Itajaí-Açú".
Engenheiro EDVALDO ÂNGELO - diretor-presidente da 
Os
sinais da gravidade são visíveis na leveza - essa a
façanha do aço que flutua ou da raiz que esvoaça; esse
é o fascínio de uma forma que reúne em si o círculo e
a farpa (ou seria o caule e a sua flora?). Fincada na
margem esquerda do rio Itajaí-Açú, a escultura
magnética de Guido Heuer insinua novos rumos e aponta
para o norte, que é o destino comum a todas as
bússolas. Treze metros de altura e quinze toneladas
compõem essa peça de puro aço ('corten') que,
estima-se, resiste a mais quinhentos anos de história
brasileira: esse o seu espaço na eternidade - a contar
de sua inauguração em 18 de dezembro de 1999 -,
defronte à Ponte do Tamarindo.
O círculo e o caule, conjugados, são sínônimos de
concepção. Para C.G. Jung, o círculo simboliza a
perfeição, evoca o culto ao sol e tem o seu equivalente
na mandala. O caule alude ao falo no senso comum e é
também um signo de criação. Emblema solar portanto, a
obra de Guido germina - masculina - no imenso útero que
é o vale; e procria: são inúmeros os relatos de
artistas e de passantes que visualizam nessa peça
indícios de nova vida na paisagem da cidade. Como se
fosse tocada pelo vento, curva-se e é quase a imagem de
um espécime de flora, ainda que seja um fruto de
engenharia e de cálculo.
Concebida como um obelisco em tons alaranjado e
ferruginoso (cores que são da cor da fluidez do tempo),
a obra nasceu entre o engenho do artista Guido Heuer e a
arte metalúrgica do engenheiro Edvaldo Ângelo, da
Metisa (Timbó), o autor da matemática precisa de sua
sustentação. Tendo calculado a força do vento no corpo
da escultura e recolocado seu centro de gravidade na base
da peça, o engenheiro assina com o artista essa
arquitetura insólita que, vista de certos ângulos,
parece levitar, tal a leveza que seu traço sinuoso
incorpora. Curvas que são interrogativas se vistas em
movimento, da rodovia ou da ponte, ou por trás dos
prédios, na penumbra do poente: surpreendentes.
Herdeira direta das linhas simples e claras do
Modernismo, a escultura ainda anônima de Heuer desafia o
imaginário da cidade e recoloca questões sobre arte
contemporânea. Não raro desconcerta e é fonte de
polêmica, uma vez que muitos veêm sentido apenas no que
é figurativo, no que é simulacro ou aparência de
realidade. A peça de Guido não tem discurso e, por
isso, não impõe ou delimita uma única leitura. Mais
pergunta que resposta, sua obra é idéia em estado de
matéria metamórfica: as ações do tempo (chuva e sol e
sereno) inscrevem no seu corpo, dia a dia, desenhos
novos, rasuras na ferrugem que são testemunho do escoar
das estações.
Leveza: eis uma das seis propostas para o milênio,
conforme o escritor cubano Ítalo Calvino. A escultura
anônima de Guido Heuer é um ponto de flutuação na
malha urbana da cidade: leve apesar do aço, sua
composição é quase aérea. Suas formas luminosas
nascem do campo de visão do artista - e o que não
existirá no solo, ainda em forma de embrião? A arte de
Heuer é novo fôlego e respiro: sua leveza quase anula a
gravidade.
DENNIS RADÜNZ - escritor
IMPRESSÕES
RÉPLICA
DE CACTO - "Os olhos da cara postos no
poema metálico de Guido Heuer, ficam fixados sem
refletir. Já os olhos da mente fazem a leitura do
surrealismo algebricamente compactado: o autor manipulou
a rocha ígnea no salto por cima do convencional tão
encontradiço nas barracas de feira livre. O monumento de
Guido Heuer assalta o passante dizendo: Veja-me! Copio
cactácea e este anel maciço é onde o primeiro raio de
Sol nascido bebe o orvalho."
THEOBALDO COSTA JAMUNDÁ, historiador.
MODERNIDADE
AMERICANA - "Eu estava em Paris fazia
uns 10 dias, quando fui conhecer La Defense, o
quarteirão ultra-moderno de Paris. Paris conserva com
extremo ciúme sua arquitetura do final do século
passado ou da Belle Époque - tirando algumas raríssimas
construções modernas em meio a cidade antiga,
propositalmente feitas para contrastar com o peso da
tradição do passado, estar em Paris é estar dentro da
História de outro ou outros séculos. Daí, fazia uns
dez dias que eu convivia com o passado, quando conheci La
Defense.
Santo Deus, era daquilo que eu gostava! Eu, americana,
moderna, mesmo amante da História e encantada com a
arquitetura de Paris, senti-me florescer ao encontrar
toda a modernidade de La Defense - minha alma se expandiu
em alegria e eu respirei com uma profundidade nova, entre
os arranha-céus e as obras de arte arrojadíssimas
daquele pedaço moderno de Paris. Foi a primeira vez que
tomei conhecimento da minha modernidade, do meu gosto de
americana, desse meu continente tão jovem, onde o que é
antigo tem um gosto mais de curiosidade, fica mais para a
História - nós, americanos, somos como a nossa terra:
novos e cheios de futuro.
Um dia, mais tarde, conheci Fortaleza, no Brasil, e de
novo me encantei com as arrojadas obras de arte que
povoam as praças daquela cidade cearense. Fortaleza é
uma cidade sintonizada com seu tempo e com o seu
continente novo, e a modernidade das suas obras de arte
em cada canto também me expandiram a alma, me deram
aquele prazer de modernidade na boca, aquele aperto no
coração, deixaram-me sintonizada com o meu tempo e a
minha realidade.
Agora, aqui na nossa pacata Blumenau, que é ainda tão
nova em tempo, mas que conserva tanto, ainda, de
retrógrada, tenho a surpresa de bater de frente com a
nova escultura que Guido Heuer fez para a cidade. Ela
está lá, em lugar de destaque, perto da ponte do
Tamarindo, e é tão visível e dinâmica e moderna, que
vê-la é como levar um soco no peito. De novo aqueci-me
por dentro, senti o prazer da modernidade na boca,
derreti-me de prazer por saber que os nossos teutos já
não estão sintonizados com o ranço da velha Europa,
que absorveram essa modernidade que é uma coisa da nossa
novíssima América.
Obrigada, Guido, pela emoção da sua escultura! Obrigada
por seres um americano como eu! Obrigada pela emoção
que me passou!
URDA ALICE KLUEGER, acadêmica de História e romancista.
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