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Placas de metal que em
princípio gerariam gravuras e depois seriam esquecidas
na poética de Guido Heuer, ora são a obra mesma, ora
dialogam com outros materiais resultando em trabalhos
inusitados. Um olhar apressado na maioria das vezes deixa
escapar as sutilezas do pensamento visual do artista
quando da instauração de sua obra. Os planos do fundo
configuram áreas de cores justapostas , e as vezes
sobrepostas, onde as formas geométricas revelam um
movimento sutil na medida que rompem com uma simetria
clássica, evidenciando densidades diferenciadas. São
grandes áreas em cores chapadas, cujo acabamento é
impecável. Em algumas, pequenas formas parecem querer
insinuar o movimento sinuoso de moluscos, talvez algum
resquício da figuração. O artista brinca com extrema
perspicácia e sensualidade com as formas e as cores, mas
o jogo é mais complexo. Então sobrepõem placas de
metal, cabos de aço, extensores, parafusos e ruelas. Em
princípio materiais antagônicos aos planos sobre os
quais esses materiais serão trabalhados. O formato que
as placas de metal tomam contrapõem a uma certa rigidez
das linhas retas e diagonais dos planos, mas em algumas
obras dialogam com as pequenas formas sinuosas ali
presentes. O tratamento dado sobre as placas evidenciam o
total domínio sobre o material utilizado,
quer revelando texturas, quer ressaltando
diversidade sutis de tons. Outras vezes aparecem placas
de madeiras alinhadas verticalmente, onde na aparente
rigidez da organização vemos uma ou outra deslocar
discretamente para o lado, para cima ou para baixo. Entre
as placas cabos de aço são retesados por extensores,
exaltando explicitamente toda a tensão que há por trás
da aparente calma da obra. Estas formas volumétricas
saltam e estabelecem o diálogo entre o bi e o
tridimensional, evidenciando ritmo e movimento. Tensão
é a palavra chave nestas obras tanto do ponto de vista
formal quanto conceitual. Para os estóicos a tensão é
um conceito que designa o princípio interno ativo que
mantém a coerência de cada ser, se tentarmos
estabelecer uma relação deste conceito com a produção
artística de GUIDO HEUER, perceberemos que ela, a tensão,
é o princípio que permeia as obras dando-lhes a
coerência interna ainda que haja tentativas de subverter
a ordem e a coerência. A apropriação de objetos do
cotidiano, cuja funcionalidade nada tem a ver com o que se
concebe como materiais "nobres" nas poéticas
visuais, dando-lhes novos significados, revela o olhar
atento do artista para os gestos artísticos presentes na
arte contemporânea. Sua poética revela uma maturidade
conceitual e plástica, caracteriza-se pela
singularidade, mas também pela sua universalidade. NADJA DE
CARVALHO LAMAS |
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