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ARTE-RODA

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OS MÚLTIPLOS DE GUIDO HEUER ENTRE A POP-ARTE E A ARTE POVERA

Na Arte Contemporânea, a obra de arte se define por sua Linguagem. E a linguagem é formada por um Sistema de regras: elementos, relações, princípios, etc: e pela Expressão. Ambos residem na obra, mas são conflitantes. As regras impostas pelo Sistema quase sempre são destituídos pela Expressividade, que é ditada pela emoção. Assim, se a obra de arte é regrada pelo sistema de elementos, como por exemplo - a perspectiva - a expressão, em seguida, poderá destruí-la em nome da expressividade. A Arte Contemporânea destituiu a maioria dos princípios ditados pela arte clássica, a começar pelo tema literário, como as cenas mitológicas, históricas ou alegóricas, uma vez que a arte visual não pode nem deve ser verbal.
Guido Heuer constrói sua obra em torno de linguagens contemporâneas, ambas nascidas pós 1960. São elas, a Pop - Art, surgida nos anos 60, descoberta inglesa, mas melhor assumida pelos EUA, e que tem objetivo destacar a sociedade de consumo e a comunicação de massa: história em quadrinhos, out-doors, cartazes publicitários, retrato de personalidades, folclore urbano, etc. A Pop-Art se traduz por Arte popular, e é figurativa.
Nesse caso, Guido Heuer grava em metal há anos figuras do nosso dia a dia, notícias de jornal, criando a memória do nosso tempo. A linguagem adota como Sistema de regras o rigor da gravura em metal, na qual está a matriz de imagens, que é sempre multiplicada. Assim, Guido Heuer consegue recuperar a memória da sociedade de consumo que quase sempre só produz Kitsch.

Por outro lado, como se pode ver em Arte-Roda, Guido Heuer realiza um contraponto com a Arte Povera, esta uma filha da Pop-Art, mas com outro intuito de ser contracultura, ou seja, questionar os valores culturais da sociedade, pelo uso de materiais pobres, comuns; muitas vezes lixo dessa própria comunidade de consumo perdulária; além do uso da Natureza no processo artístico. Na obra de Guido Heuer: a madeira.
Para isso, o artista utiliza carretéis das instaladoras de postes elétricos, retirando suas rodas e as adicionando à obra, criando assim um contraponto entre madeira pobre e metal nobre, além de nos ofertar o rigor formal da gravura em metal, na qual a disciplina da artesania se faz como ponto alto da técnica desse artista.
Concluindo: a obra de guido Heuer se mantém no permeio desses dois movimentos contemporâneos - a Pop-Art e a Arte Povera. Quanto ao processo criativo, a linguagem do artista luta entre o rigor da gravura em metal, de caráter nobre, e a pobreza do material precário da madeira dos carretéis abandonados. E tudo isso dentro da socialização da arte: seus trabalhos são múltiplos, e não a elitista obra única. O tempo parece correr célere no rolar/desenrolar da poesia dos fios desses carretéis memorialistas de Guido Heuer. Poema visual que apraz à vista e à mente.

ALBERTO BEUTTENMÜLLER
Membro da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA - Paris)