GUIDO HEUER ON LINE

TEXTOS E CRÍTICAS servem de estímulo à pesquisa em arte e alimentam propostas pedagógicas interdisciplinares.

1995

GUIDO HEUER personaliza e enriquece a presença do Sul na arte brasileira. Há uma lógica singular em sua obra quando impõe a organização espacial dos escultores e revela o lado criativo do artista sensível. Fiel ao plano escolhido, sua imaginação equilibra um sofisticado jogo de olhar entre a rigidez precisa das formas geométricas e as curvas linhas orgânicas.
O domínio da personalidade artística de Guido Heuer certamente determina sua arte com possibilidades universais.

Edson Busch Machado


  Guido Heuer pertence ao grupo de Blumenau. Seus trabalhos se caracterizam pelo seguro back-ground artesanal e grande respeito pelos materiais e seus condicionamentos. As chapas de metal que mostrou na Exposição em Brasília indicam uma autoridade no emprego de formas e texturas. A sensibilidade plástica que o caracteriza compraz-se no contraste , sem polarização, de formas geométricas e orgânicas, de massas regulares e soltas, de vedados e vazados , de cheios e vazios, de tênues e de espessos, de foscos e polidos. A preocupação pela ordem e o controle racional da estrutura não excluem a consideração do não-ordenado como dimensão de existência.
Daí a fluidez, de algumas superfícies, flutuando entre a decisão "acabada " da linha.

João Evangelista de Andrade Filho


Embora não possa ser classificado dentro de uma corrente pop ou hiper-realista é aos dados do cotidiano e sua máxima realidade que recorre. Usando elementos da vivência diária como embalagens , navalhas, prendedores de roupa , bombas de gasolina, consegue um diálogo direto com o espectador, onde o todo concreto atinge a totalidade dos sentidos.
Além do aproveitamento plástico do espaço, mimetiza o objeto engrandecendo-o. Associações impõem-se naturalmente aludindo a todos os nossos problemas.

Adalice Araújo


 


Foto: Sonia Maria Pinheiro

 

"Um dos artistas mais representativos da jovem arte catarinense......" proporciona ao primeiro contato com o público uma obra que está no limiar da montagem e da matriz da gravura em metal. São objetos de parede, com relevos figurativos, documentando o cotidiano e novelando toda a matéria utilizada numa clave metálica. As superfícies são sensibilizadas por mordeduras (ácido ou instrumento manual) e servem de suporte a formas triviais domésticas, que assumem a dupla função de fetiche e símbolo de um Design popular já consagrado pelo consumo. Em certos exemplares da série há uma ligação intencional do objeto com sua função.
"O artista usa muitos recursos de montagem , renovando texturas; sempre numa trilha coerente do brilho dos metais, contido ou revelado, de acordo com a necesidade expressiva do manipulador."

Walmir Ayala (publicado no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro em 17.03.1980)


As raízes na obra de Guido Heuer se confundem com a idéia do tempo. Se de um lado esta idéia induz à memória (o tempo pretérito), de outro leva a um mergulho no tempo por vir (futuro). O encontro das duas coordenadas temporais, convergem para uma obra atual, presente, passa a ser instrumento de leitura onde, esteticamente, o que se avalia é o resumo de uma tragetória criadora. Incorporando ao material antigo (cobre e latão), a novíssima expressão da fórmica, o conhecimento plástico se enriquece e a revisão da identidade do artista se amplia.
Texturas diversas, pontos de luz, sobreposição de elementos, a figura humana, vegetais, palavras, surpresas abstratas, tudo se interliga na coerência formal.
Aqui tudo se pertence, pelo fio condutor da sensibilidade.
Guido Heuer mergulha e emerge. Coerente e autêntico procura a medida do ser humano na arte que constrói e re-constrói.

Lindolf Bell, Membro da AICA e ABCA